
A nova tendência conhecida como "farmar aura", que ganhou força nas redes sociais entre adolescentes e jovens, tem despertado a atenção de especialistas. Embora o fenômeno faça parte da linguagem da internet e não seja, por si só, considerado um comportamento inadequado, a prática pode revelar questões importantes relacionadas à construção da identidade e à saúde mental.
Em entrevista, a psicóloga Leila Chaves explicou que o termo tem origem no universo dos jogos eletrônicos e passou a ser utilizado nas redes sociais para representar atitudes, gestos ou comportamentos que buscam transmitir uma imagem de confiança, popularidade ou "presença" diante do público.
Segundo a especialista, a adolescência é um período marcado pela necessidade de autoafirmação e pertencimento. Quando esse comportamento recebe aprovação de outras pessoas, por meio de curtidas, comentários ou reconhecimento durante essas "competições" nas redes sociais, muitos adolescentes passam a construir sua identidade com base na percepção dos outros.
"O grande problema é quando o adolescente deixa de constituir quem ele realmente é para tentar ser aquilo que acredita que as outras pessoas esperam dele", destaca Leila Chaves.
A psicóloga explica que, durante essas interações, os jovens acabam funcionando como se estivessem diante de um espelho, moldando seus comportamentos de acordo com a reação do público, muitas vezes sem que exista uma lógica racional para essas atitudes.
Para os adultos, esse tipo de comportamento pode parecer estranho ou sem sentido. No entanto, Leila ressalta que o algoritmo das redes sociais tende a entregar cada vez mais conteúdos semelhantes, reforçando esse ciclo de exposição e busca constante por aprovação.
Diante desse cenário, a especialista defende que pais, responsáveis e educadores acompanhem mais de perto o comportamento digital de crianças e adolescentes. Segundo ela, é fundamental compreender o que está motivando essas atitudes e identificar quais necessidades emocionais estão por trás desse comportamento.
"Quando conseguimos entender o que esse adolescente está buscando responder com esse comportamento, encontramos questões emocionais mais profundas, como a necessidade de aprovação, segurança, pertencimento e apoio social", conclui a psicóloga.
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