
Os pais de Sophia Vial da Silva, adolescente de 15 anos morta a tiros no último sábado (9), participaram na manhã desta segunda-feira (11) de um ato pela paz e pelo fim da violência no bairro Santa Rita, em Vila Velha. Sophia foi baleada enquanto voltava da igreja com a mãe e não resistiu aos ferimentos.
Durante o ato, a mãe da jovem, Allini Vidal, relembrou o momento de desespero ao ver a filha ser atingida.
“Eu fechei os olhos e, quando abri, minha filha já estava caída dentro do carro. Em um segundo tiraram a vida dela”, disse.
A família havia deixado o bairro há 10 meses por conta da violência e estava na região apenas para passar o fim de semana do Dia dos Pais com parentes. Mesmo diante da tragédia, os pais falaram sobre perdão, mas cobraram justiça.
“Enterrei minha filha no Dia dos Pais. Era pra ser um dia de alegria, de ganhar presente, e o presente que recebi foi enterrar minha filha. A gente perdoa esses jovens que fizeram essa barbaridade. Que eles coloquem a mão na consciência para não terminarem igual a minha filha. Isso não pode ficar impune”, afirmou Wendel, pai de Sophia, que também pediu mais presença policial permanente no bairro.
Durante o ataque que vitimou Sophia, uma mulher de 31 anos também morreu. Outras três pessoas ficaram feridas: uma criança de seis anos, um menino de nove e um homem, que seria o alvo principal dos criminosos.
Disputa entre facções
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, a região onde o crime ocorreu é formada por oito bairros divididos entre facções rivais: três sob domínio do Terceiro Comando Puro (TCP), três sob influência do Primeiro Comando de Vitória (PCV) e dois em disputa.
Caus afirmou que os autores das mortes eram menores de idade e procuravam um alvo que não estava no local. “Chegaram de maneira aleatória, atirando em todo mundo. Os ataques foram ordenados por um indivíduo conhecido como ‘Nego Stanley’, ligado ao PCV e atuante na região de Alecrim. Estamos caçando diuturnamente e, até a prisão deles, todas as nossas ações serão focadas nessa região”, disse.
O comandante destacou ainda que, apesar da atuação das facções, a PM mantém controle sobre a circulação nas ruas. “Vivemos um grande câncer das facções, mas aqui no Espírito Santo eles não dominam a via pública. Entramos e saímos dos bairros, mas eles continuam se degladiando pelo dinheiro e poder”, afirmou.
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